Lojas Renner resgistra lucro líquido de R$ 404,6 milhões no 2º trimestre

06/08/2026 às 19:36 atualizado por Júlia Pestana - Estadão
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A Lojas Renner registrou lucro líquido de R$ 404,6 milhões no segundo trimestre de 2026, praticamente estável em relação a igual período do ano passado, quando somou R$ 404,5 milhões. Em bases comparáveis, porém, a companhia aponta crescimento de 8%.

A receita líquida de varejo somou R$ 3,6 bilhões, alta anual de 1,1%, enquanto as vendas em mesmas lojas (SSS) avançaram 0,5%. No segmento de vestuário, a receita cresceu 2,5% e o SSS, 1,5%.

O presidente da empresa, Fabio Faccio, afirmou à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que a forte base de comparação de 2025 já levava a companhia a esperar um crescimento menor no período, mas as vendas ainda ficaram abaixo do previsto, principalmente pelo impacto da Copa do Mundo sobre o fluxo das lojas.

Para o executivo, a diferença em relação a outras edições foi a duração desse efeito. "Historicamente, é uma coisa que já acontece, mas acontecia muito concentrado nos dias de jogos do Brasil. Dessa vez foi muito diferente, a redução do fluxo aconteceu durante todo o evento."

Faccio citou o maior número de jogos e seleções, a oferta de streaming gratuito e o maior envolvimento dos consumidores com apostas esportivas como fatores que ampliaram a atenção dedicada ao torneio.

Na direção oposta, o GMV digital cresceu 13,1%, para R$ 837 milhões, e atingiu participação de 16,9% nas vendas.

Rentabilidade

Mesmo com o desempenho mais fraco das vendas físicas, a companhia conseguiu preservar a rentabilidade. A margem bruta do varejo atingiu 57,5%, avanço de 0,4 ponto porcentual e recorde para um segundo trimestre.

O CEO atribuiu o resultado a fatores operacionais, como maior assertividade das coleções e melhor gestão dos estoques, embora o câmbio também tenha contribuído. O estoque total encerrou o trimestre com alta de 6,5%, enquanto o estoque antigo caiu 13%.

"Essa composição de um estoque mais novo, vendendo a preço de entrada, é o que tem ajudado a nossa margem a subir, sem ter de fazer um repasse de inflação ou de custo na mesma dimensão para os nossos clientes", afirmou.

As despesas operacionais cresceram 1,5%, mesmo diante da inflação e da expansão da área de vendas. O diretor financeiro (CFO), Daniel Santos, disse que iniciativas de eficiência começaram a ser implementadas no segundo trimestre e terão continuidade nos próximos 12 meses.

Com isso, o Ebitda de varejo somou R$ 791,2 milhões, crescimento de 2,3%, com margem de 21,4%, alta de 0,2 ponto porcentual.

A Realize registrou resultado de serviços financeiros de R$ 53,5 milhões, queda de 54,9% sobre o valor reportado um ano antes. Em bases comparáveis, o recuo foi de 21,9%.

Já o resultado financeiro ficou negativo em R$ 33,4 milhões, ante R$ 45,9 milhões negativos no segundo trimestre de 2025. A melhora decorreu principalmente do aumento dos rendimentos de caixa e aplicações financeiras.

Os investimentos totalizaram R$ 167 milhões no trimestre, ante R$ 165,9 milhões um ano antes. Foram inauguradas 14 lojas no período, sendo duas Renner, três Camicado e nove Youcom.

A companhia encerrou junho com caixa líquido de R$ 1,159 bilhão, ante R$ 1,523 bilhão em dezembro. O fluxo de caixa livre somou R$ 135,1 milhões no trimestre, queda anual de 59,4%.