Taxas de juros têm rali e despencam mais de 1 p.p. com Flávio à frente no 1º turno

05/10/2026 às 18:12 atualizado por Arícia Martins - Estadão
Siga-nos no Google News

Os juros futuros percorreram a segunda etapa do pregão com forte queima de prêmios, que superou 100 pontos-base, ou um ponto porcentual, nos vértices médios e longos. À exceção da ponta curta, os demais vencimentos voltaram a ser negociados abaixo de 13%, em níveis não vistos desde outubro de 2024, impulsionados pelo resultado das urnas no primeiro turno das eleições.

Ao mesmo tempo em que a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Lula (PT)surpreendeu e reforçou a percepção de que deve haver alternância de poder em 2027, é considerado pouco provável que o petista consiga reverter esse quadro até a realização do segundo turno - o que, na visão do mercado, abrirá espaço para um ajuste fiscal mais austero no próximo ano. Também foi vista com otimismo a escalada da direita no Congresso, que ajudaria um eventual governo de Flávio a implementar os ajustes necessários.

Com a leitura de queda dos riscos associados à política fiscal no radar, a curva a termo já passou a precificar um ciclo de calibração um pouco mais expressivo da Selic, com cortes nas duas últimas reuniões deste ano que prosseguem em 2027.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu a 13,413%, de 13,53% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2029 cedeu de 13,749% a 12,650%, e o para janeiro de 2031 despencou a 12,700%, vindo de 13,99% no ajuste.

Diretor de pesquisa econômica do banco Pine, Cristiano Oliveira afirmou que o comportamento dos juros surpreendeu nesta segunda-feira, 5. No começo do dia, disse, a expectativa era de que as taxas perdessem entre 50 a 80 pontos; "100 pontos, no máximo". "Provavelmente há a interpretação de que é mais provável a implementação de uma agenda mais liberal na economia. Não é um movimento artificial. O mercado já está antecipando essa agenda", comentou.

Para o sócio e economista-chefe da Way Investimentos e professor da IBMEC-RJ e ESPM, Alexandre Espírito Santo, a diferença de 2,3 milhões de votos entre Flávio e Lula não estava precificada e contribuiu para o rali desta segunda, assim como a nova composição do Congresso. A direita avançou no Senado e formará a maior bancada a partir de 2027, somando 44 dos 81 parlamentares. Na Câmara, o PL elegeu a maior bancada, com 121 deputados.

"Se de fato o Flávio ganhar, isso ajudaria muito em aprovações. É menos provável que o Lula consiga virar, mas se eventualmente conseguir, ainda terá uma dificuldade enorme em governar. Esses dois aspectos favoreceram a 'festa' nos ativos", comentou.

Na visão do economista, porém, a descompressão dos DIs poderia ter sido até maior, mas ainda paira sobre as taxas "um prêmio significativo" de risco fiscal. "Um novo governo conseguirá melhorar a produtividade do país, reduzir impostos, aspectos que impactem a produtividade, e sem dúvida melhoraria a perspectiva do lado fiscal. Mas não vai conseguir fazer mudanças radicais e cortes expressivos", avaliou.

O estrategista global da Macquarie Thierry Wizman alerta que, contra o otimismo observado nesta segunda nos ativos, o próximo presidente vai herdar exigências estruturalmente crescentes de gastos obrigatórios, altos custos de serviço da dívida e uma flexibilidade orçamentária limitada. "Portanto, para sustentar qualquer rali no Brasil, será necessário que Bolsonaro, após vencer, apresente um plano crível para as finanças públicas."

Na política monetária, o mercado ajustou suas apostas para um ciclo de baixa da Selic um pouco maior. A taxa terminal apontada pela curva para 2026 caiu de 13,47% na sexta-feira para 13,20%, e a para 2027, de 13,50% a 12,50%. O economista-chefe do banco Bmg, Flávio Serrano, pondera que a volatilidade de sessões como a desta segunda, contudo, coloca alguma cautela nestes dados.