Taxas de juros encerram de lado de olho em disputa eleitoral e alívio no cenário externo

21/10/2026 às 18:08 atualizado por Arícia Martins - Estadão
Siga-nos no Google News

Embora a atenção dos investidores esteja concentrada no desfecho da disputa presidencial às vésperas do segundo turno, os juros futuros exibiram dinâmica distinta dos demais ativos domésticos nesta quarta-feira, 21, com oscilações estreitas e pouca direção. As taxas firmaram tendência mais clara de baixa modesta somente rumo ao final da sessão, na esteira de gatilhos vindos do exterior.

Os vencimentos médios e longos chegaram a virar para o terreno positivo após os Treasuries renovarem máximas, em seguida à notícia de que o Departamento de Estado dos EUA se prepara para ordenar a saída de parte dos funcionários e de seus familiares das embaixadas americanas em países do Golfo Pérsico. A piora, contudo, teve fôlego curto, sendo apaziguada depois de o presidente Donald Trump afirmar que "talvez estejamos agora mais perto do que nunca de pôr fim à guerra" entre Rússia e Ucrânia.

Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,483%, no ajuste da véspera, a 13,473%. O DI para janeiro de 2029 oscilou a 12,560%, vindo de 12,562% no ajuste, e o DI para janeiro de 2031 recuou de 12,637% a 12,590%.

Os DIs percorreram boa parte do pregão oscilando entre viés de alta e de queda, alheios aos mercados de câmbio e de ações, que aprofundavam perdas em reação ao ligeiro acirramento da disputa eleitoral. Para profissionais do mercado, o comportamento, apesar de ter destoado dos demais ativos, não fugiu da normalidade e também não teve condutores firmes. "Acho que está tudo dentro da volatilidade normal. Sem nada para destacar", disse um economista de uma grande tesouraria.

Publicada nesta manhã, a Quaest mostrou que Flávio Bolsonaro e o presidente Lula seguem tecnicamente empatados, mas a vantagem numérica de Flávio frente a Lula caiu de dois pontos porcentuais para um ponto agora. A proporção de intenção de votos no senador passou de 46% a 45%, enquanto o petista se manteve com 44%. A rejeição de ambos os candidatos recuou, mas a de Lula caiu 6 pontos, e a de Flávio oscilou 2 pontos, dentro da margem de erro.

"Neste momento, a maioria das pesquisas de segundo turno sugere que Flávio tem uma ligeira vantagem sobre Lula, embora praticamente todos os institutos indiquem empate técnico, já que os resultados ficam dentro da margem de erro, o que torna o desfecho altamente incerto", afirma em relatório o economista-chefe para Brasil do Barclays, Roberto Secemski.

A despeito da incerteza e da proximidade entre os dois candidatos nas pesquisas, o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, afirma que, em conversas com gestores e brokers, tem percebido que a convicção sobre uma alternância de poder em 2027 - que traria, aos olhos do mercado, uma disciplina fiscal maior - se mantém elevada. "O pessoal quer ir para eleição posicionado, imaginando que pode ganhar ainda mais", apontou, o que, em sua visão, pode explicar o relativo descompasso entre os DIs e os demais mercados nesta quarta.

Economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho nota que outras pesquisas privadas - como Futura, Palver e Meio Ideia - apontaram em média um diferencial de 2 pontos para a candidatura da oposição, sendo que o índice da plataforma de apostas PolyMarket sinalizava probabilidade superior a 70% para uma vitória de Flávio.