Ibovespa sobe e acumula alta de 2% na semana, com IPCA-15 abaixo do esperado

25/06/2026 às 17:50 atualizado por Caroline Aragaki - Estadão
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O Ibovespa fechou em alta e acumula valorização superior a 2% na semana, nesta quinta-feira, 25, amparado no alívio de um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) abaixo do esperado e com qualitativo melhor. Gestores de renda variável também entenderam que o Relatório de Política Monetária (RPM), seguido pela coletiva do Banco Central (BC), manteve porta aberta para uma flexibilização nos juros, ainda que possa haver pausas no meio do caminho.

Entre as blue chips, destaque para a recuperação da Vale. As ações da Petrobras fecharam sem sinal definido, destoando do avanço de 2% da commodity, assim como o setor financeiro.

Após avançar 1,62% na máxima intradia (173.277,09 pontos), o Ibovespa reduziu alta à tarde, acompanhando a maior cautela vista na curva de juros - esta, por sua vez, se deu pelo avanço do petróleo e por movimentos de ajuste. Por fim, a referência da B3 fechou aos 171.990,2 pontos, avanço de 0,87%, ainda distante da mínima dos 170.507,92 pontos, com variação zero, da abertura. O giro financeiro totalizou R$ 22,04 bilhões. No mês, o Ibovespa cai 1,03% e no ano, sobe 6,74%.

O BC trouxe uma comunicação dura nesta quinta-feira, mas que ainda assim não descarta o corte de juros e o IPCA-15 continua ajudando neste raciocínio, avalia o estrategista de investimentos e sócio da GT Capital, Nicolas Gass, pontuando que este foi o maior direcionador para a Bolsa. "O mercado esperava uma comunicação ainda mais dura do BC, parecida com a que foi do Fed, mas as falas dos dirigentes do BC não indicaram que o corte de juros ficará para trás", avalia.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou em coletiva que no atual momento, de incerteza, nem a literatura recomenda o uso de guidances. Disse ainda que o mercado está "no direito de pedir essa informação" sobre próximos passos da autarquia, mas que o "BC vai preservar o seu direito de não dar essa informação quando ele achar que não interessa".

Na avaliação do Bradesco, em relatório assinado pelo diretor de pesquisa econômica Fernando Honorato Barbosa, o Copom pode optar por uma pausa seguida de retomada no processo de calibração da Selic, conforme já havia indicado na ata da reunião de junho.

Ainda que o RPM tenha reforçado preocupação com a inflação alta, dá maior clareza de direcionamento da continuidade de calibração dos juros por parte do BC, acrescenta o head de renda variável da Veedha Investimentos, Rodrigo Moliterno. "O BC disse que vai acompanhar dados de inflação, e o mercado acredita que irá continuar com o afrouxamento à medida que forem sendo vistos sinais de que pode cortar juros. O IPCA-15 um pouco abaixo do esperado ajuda nisso."

O IPCA-15 desacelerou de 0,62% em maio para 0,41% em junho, em variação abaixo da mediana (0,44%) da pesquisa Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado). Em nota, a economista Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos, afirma que o dado ajuda a manter a discussão de que a inflação pode já ter atingido o seu pico em 2026, mencionando também composição qualitativamente melhor, com surpresa baixista em serviços e industriais.

Moliterno nota ainda que o mercado pode estar começando a apostar mais em risco novamente, com o conflito no Oriente Médio se direcionando para o término. "Assim, voltam as preocupações internas. A inflação, com o impacto do petróleo diminuindo, também acaba arrefecendo", pondera.

Ainda assim, nesta quinta o petróleo interrompeu uma sequência de três quedas consecutivas e avançou mais de 2%, diante de relatos do The Wall Street Journal de que o Irã atacou um navio dos EUA no Estreito de Ormuz. Investidores seguem de olho na vigência do acordo entre os dois países, enquanto equilibram a perspectiva de aumento da oferta no Oriente Médio com as preocupações em torno da demanda.

Em termos micro, Petrobras PN subiu 0,42%, mas a ON fechou em leve baixa de 0,12%. Já Vale (+1,20%) registrou recuperação, na linha da alta de metais básicos - exceção ao minério de ferro, que caiu. Depois de valorização generalizada mais cedo, os bancos fecharam mistos, com Unit do Santander Brasil cedendo 0,68%, maior baixa, e Itaú PN liderando os ganhos do setor a partir da alta de 1,78%.