Ibovespa encerra semana em queda com pressão do petróleo e eleição no foco
Amparado, por um lado, pela alta das ações da Vale, dos bancos e das maiores empresas de utilities e pressionado, por outro, pelo tombo das ações da Petrobras, o Ibovespa encerrou o dia em leve queda de 0,27%, aos 183.476,86 pontos.
O giro financeiro das ações do índice foi bastante reduzido no dia (R$ 15 bilhões), mostrando que os investidores chegam ao fim da semana em compasso de espera pelos avanços nas negociações entre EUA e Irã para reabertura do Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que monitoram as reais chances de uma alternância de poder no Brasil após as eleições.
A queda do petróleo nesta sexta-feira provocou uma baixa de mais de 2% das ações da Petrobras, o que justificou o movimento negativo Bolsa brasileira ao longo do dia. Ao mesmo tempo, como os preços mais baixos da commodity representam potencial redução das pressões inflacionárias no mundo, os investidores encontram espaço para ajustar posições a favor de ativos de risco, o que explica o avanço mais firmes das bolsas norte-americanas e das demais blue chips da B3.
De todo modo, a cautela no mercado levou o Ibovespa a acumular perda de 0,95% em cinco pregões, saindo dos 186 mil pontos no começo da semana para a faixa dos 183 mil pontos nesta sexta. No mês, o índice ainda sobe 3,41%.
"Investidores no Brasil seguem com atenção completa em noticiário político, tentando modelar como vai ser essa última semana antes do primeiro turno, se sairá alguma notícia de extrema relevância", afirma o trader da Meraki Capital, Juan Lopes. "Hoje, o presidente Lula vem pra São Paulo assinar a medida para o fim das bets. Existe uma leitura de que varejo hoje na Bolsa está com uma performance acima da média graças a essa proibição, porque, sem bets, é mais dinheiro pra varejo."
Para a economista e sócia-advisor na Blue3 Investimentos, Bruna Centeno, o fluxo mais contido também é uma resposta a um dia com tom mais pessimista devido à leitura sobre a inflação ainda forte no Brasil, conforme mostrou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), que veio acima do esperado e serviu para limitar altas mais fortes.
Diante dessa combinação de fatores, o movimento dos investidores hoje é fraco porque o ambiente não permite posições mais direcionais das carteiras, afirma Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank. Para ele, o cenário interno ainda é marcado por grande volatilidade. "Semana que vem é a véspera da eleição, então é esperado que o investidor evite tomar mais risco", diz.



