Ibovespa cai 3,23% na semana com eleições e saída de estrangeiros no foco
A melhora do humor dos investidores na reta final do pregão levou o Ibovespa a recuperar os 166 mil pontos e encerrar o dia perto da estabilidade. As fortes quedas registradas ao longo de toda a sessão abriram espaço para uma recuperação marginal, com investidores aproveitando para realizar um recalibramento das carteiras.
A despeito disso, o Ibovespa registra diversas marcas negativas no encerramento dos negócios de nesta sexta-feira. O índice engatou o seu nono pregão seguido de queda (-0,10%, aos 166.934,20 pontos), maior série de perdas em três anos. Na semana, o recuo foi de 3,23%. Em agosto, a baixa acumulada já é de 6,22%. Não houve um pregão sequer de alta do índice no mês até agora.
O EWZ, principal ETF ligado a ações brasileiras negociado em Nova York, já tem a pior semana desde o começo de junho ao acumular perdas de mais de 4%, enquanto o EEM, maior ETF ligado aos emergentes, sobe 1,5% - um claro sinal de que a história negativa está mais concentrada sobre o Brasil.
De um lado, os estrangeiros seguem retirando recursos da bolsa local na esteira da revisão de recomendação para ativos brasileiros, como a do JPMorgan, que retirou o Brasil da indicação de compra para neutra nesta semana. Aliado a isso, um movimento de embolsar lucros obtidos ao longo do ano para procurar por papéis de tecnologia em outros mercados vêm enxugando a liquidez do país.
"Nesse fim de pregão, em particular depois das 16h, o Ibovespa mostrou recuperação, mas não houve nenhuma nova informação, o que sugere que a melhora pode ser considerada um ajuste técnico, após a queda acumulada do índice na semana", afirma Marianna Costa, economista-chefe, da Mirae Asset.
O cenário eleitoral é outro tema que pesa sobre os negócios, sobretudo com o início das campanhas a partir deste domingo. "Os candidatos vão ser obrigados a fazer esse dever de casa, mas o investidor quer ver isso e não tem notícia disso", afirma Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank. "Temos uma economia que está indo devagar e uma expectativa de que os juros e a inflação vão continuar mais altos por um tempo."
Não bastassem esses elementos, o mercado também observa com ceticismo a decisão do Brasil de acionar a Lei de Reciprocidade e notificar o governo norte-americano, como resposta ao tarifaço promovido pelo presidente dos EUA, Donald Trump. As preocupações em torno de uma escalada nas relações comerciais, com potenciais implicações econômicas, voltam a dar o tom dos mercados - e devem continuar se refletindo nos pregões seguintes, segundo os especialistas.



