BCE: choque de energia se mostra mais persistente do que se pensava anteriormente
O presidente do Banco Central da Holanda e membro do conselho do Banco Central Europeu (BCE), Olaf Sleijpen, disse nesta terça-feira, 3, que o choque energético mostra-se mais persistente, referindo-se à situação da economia em decorrência da guerra dos EUA e Israel contra o Irã.
Em slide preparado para uma conversa realizada na Comissão de Finanças do Senado da Holanda sobre desdobramentos macroeconômicos, Sleijpen afirmou que "devido à guerra no Irã, a economia enfrenta este ano um novo choque nos preços da energia".
"Esse choque revela-se mais persistente do que se pensava", citou, mostrando dados sobre os cenários de preços do petróleo, elaborados em setembro pelo BCE.
"Desde setembro, os preços da energia subiram mais rapidamente do que o esperado. Nos últimos meses, os preços efetivos do petróleo situaram-se entre o cenário desfavorável e o cenário severo", pontuou na sua apresentação.
O mercado espera agora que o preço, por enquanto, permaneça entre esses dois cenários. Para o preço do gás, observa-se um quadro semelhante, apontou.
O dirigente disse que o aumento dos preços da energia no atacado está sendo gradualmente repassado para as contas de energia, à medida que os contratos vigentes chegam ao fim. "Além disso, o mercado de trabalho continua restrito; demandas por salários mais altos podem intensificar ainda mais a pressão inflacionária", afirmou.
Os comentários ocorrem em meio a observações recentes da presidente do BCE, Christine Lagarde, de que o Conselho do BC da zona do euro está "prestando muita atenção em efeitos inflacionários de segunda ordem" dos preços de energia. No dia 29 de outubro, Lagarde afirmou, contudo, que - atualmente - não haja riscos além do que já estão nas projeções da instituição.
O dirigente afirmou que, nos últimos anos, a inflação nos Países Baixos tem sido superior à da área do euro como um todo. "Essa diferença diminuiu, e a inflação holandesa encontra-se, agora, próxima à média da área do euro", disse.



