CNA defende regionalização de embargos após foco de Newcastle em SC
Santa Catarina é o principal Estado exportador de carne de peru do Brasil

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defendeu, em nota, a negociação com os mercados importadores para regionalizar as restrições às exportações de produtos avícolas após a confirmação de foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. O objetivo é minimizar os impactos comerciais da ocorrência, considerada isolada pela entidade, e evitar que as suspensões de compras atinjam todo o País.
Na nota, a CNA lembra que Santa Catarina é o principal Estado exportador de carne de peru do Brasil. Em 2025, embarcou 29,5 mil toneladas do produto, o equivalente a 44,8% do volume nacional. No caso da carne de frango, ocupa a segunda posição, com 1,20 milhão de toneladas exportadas, ou 23,3% do total brasileiro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A receita com as exportações estaduais de carne de aves somou US$ 2,1 bilhões no ano passado, o equivalente a US$ 5,7 milhões por dia.
Na nota, a CNA lembra que o Brasil suspendeu preventivamente as exportações de carne de aves e seus produtos, no modelo de autoembargo, em conformidade com os requisitos dos certificados sanitários internacionais. As restrições variam conforme os acordos bilaterais e podem abranger todo o território nacional, o Estado afetado ou um raio determinado a partir do foco.
A entidade cita o episódio de 2024, quando a ocorrência de Newcastle em uma granja comercial de frangos no Rio Grande do Sul levou diferentes parceiros comerciais a adotarem medidas distintas. Argentina, China e México suspenderam as importações de carne de frango de todo o Brasil, enquanto Arábia Saudita, Chile e União Europeia limitaram as compras ao Estado afetado. Japão, Coreia do Sul e África do Sul restringiram os embarques provenientes de um raio de 50 quilômetros do foco.
A CNA ressalta que a estratégia agora é demonstrar aos parceiros comerciais que o caso em Santa Catarina está circunscrito e negociar a aplicação de medidas regionalizadas. A extensão e a duração das restrições dependerão das exigências sanitárias de cada mercado.
A confederação também manifestou confiança no sistema brasileiro de defesa agropecuária e na capacidade das autoridades de conter e erradicar o vírus. Na nota, destaca que a identificação do foco ocorreu durante uma investigação epidemiológica de rotina, conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina, após a coleta de amostras na propriedade no fim de setembro. A confirmação foi feita pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), reconhecido como referência pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Desde o início de 2026, foram realizadas 324 investigações de suspeitas de síndrome respiratória em aves, tendo como doenças-alvo a influenza aviária de alta patogenicidade e a doença de Newcastle. Desde 2022, o total chega a 5.444 investigações, conforme os dados reunidos pela CNA.
Após a confirmação do foco, a granja foi interditada e a movimentação de animais suspensa. As aves serão sacrificadas, seguidas de procedimentos de limpeza e desinfecção das instalações e dos equipamentos. Além disso, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) declarou estado de emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, por meio da Portaria nº 962/2026, publicada em 19 de outubro.
As autoridades sanitárias acompanharão a situação durante o período de incubação da doença, de 21 dias. Caso não sejam identificados novos focos, o Brasil poderá recuperar o status de livre de Newcastle após 90 dias, conforme as regras da OMSA.
Consumo seguro
A CNA reforça que a ocorrência é uma questão de sanidade animal e não compromete a segurança dos alimentos. "O consumo de carne de aves, ovos e demais produtos avícolas inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial continua seguro e sem contraindicações para a população", destaca a entidade.
A confederação recomenda que os produtores reforcem as medidas de biosseguridade das granjas, com controle de acesso de pessoas, uso de roupas e calçados exclusivos, limpeza e desinfecção de instalações, equipamentos e veículos, manutenção das telas dos aviários e controle de pragas. Suspeitas envolvendo sinais respiratórios ou neurológicos, ou mortalidade alta e súbita, devem ser comunicadas imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial.



