São Martinho acelera moagem de cana para reduzir risco climático
São Paulo, 27 - A São Martinho, do setor sucroenergético, está acelerando a moagem da safra 2026/27 para reduzir os riscos associados a um eventual El Niño mais intenso no segundo semestre e avalia que os preços atuais do açúcar no mercado internacional não refletem os potenciais impactos climáticos sobre a oferta global.
Segundo o diretor Financeiro da companhia, Felipe Vicchiato, a empresa já moeu cerca de 25% da safra e opera acima da expectativa inicial de moagem diária. "A meta é não deixar cana em pé", afirmou, ontem à tarde, em teleconferência de resultados.
O executivo explicou que a estratégia da companhia é encurtar a safra para minimizar eventuais paralisações provocadas por chuvas excessivas. "A nossa safra está prevista para acabar na segunda ou terceira semana de novembro", disse. Segundo ele, a companhia ainda possui margem operacional para prolongar a moagem até dezembro, caso o clima se deteriore ao longo do ciclo.
No cenário global, o CFO destacou que a seca esperada no Hemisfério Norte pode comprometer a produção em países relevantes para o mercado internacional. "Teria muita seca na Índia, o que deve afetar o canavial deles", afirmou. Ele também mencionou expectativa de queda relevante na produção da Tailândia.
Apesar desse cenário, Vicchiato disse que os preços atuais do açúcar continuam descolados dos fundamentos climáticos. "Os preços de açúcar hoje no mercado futuro não refletem o El Niño", afirmou. Segundo ele, o mercado trabalha como se o Brasil tivesse uma "safra perfeita", sem interrupções relevantes na moagem.



