Sem crédito diferenciado, produtor troca arroz e feijão por soja, diz Mercadante
Segundo o executivo, a política agrícola precisa equilibrar o incentivo ao agronegócio exportador com medidas voltadas à produção de alimentos para o abastecimento doméstico
São Paulo, 18 - Caso não haja estímulos públicos e crédito diferenciado, produtores rurais tendem a priorizar culturas mais rentáveis, como a soja, em detrimento de alimentos para o mercado interno. A avaliação é do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, que destacou a necessidade de ampliar o apoio à agricultura familiar e às cooperativas. "Se não tiver estímulo público e crédito diferenciado, o que acontece? O cara vai produzir soja. Por que ele vai produzir arroz, feijão ou mandioca?", disse Mercadante, em entrevista ao Canal Livre, da Band.
Segundo o executivo, a política agrícola precisa equilibrar o incentivo ao agronegócio exportador com medidas voltadas à produção de alimentos para o abastecimento doméstico. "Temos que combinar as duas coisas, sem abandonar a grande empresa moderna, porque ela gera divisa e dá estabilidade", afirmou. Mercadante destacou ainda linhas para agricultura familiar e cooperativas. Segundo ele, o banco anunciou financiamentos de até R$ 40 milhões para produção de leite, com juros de 6%, reduzidos a 4% para agricultores familiares via Pronaf. "A política agrícola tem que fomentar esse mercado que barateia a comida e traz comida de qualidade", afirmou. Sobre negócios de menor porte, o presidente do BNDES ressaltou que o banco desembolsou R$ 101 bilhões neste ano para micro, pequenas e médias empresas, parte deles por meio do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI).



