Inflação desacelera em junho, mas alimentos e passagens aéreas continuam pressionando preços
Prévia da inflação oficial sobe 0,41% no mês e acumula alta de 4,80% em 12 meses; combustíveis ajudam a conter avanço do índice
A prévia da inflação oficial do Brasil perdeu força em junho, mas segue pressionada principalmente pelos preços dos alimentos e das passagens aéreas. Dados divulgados nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) avançou 0,41% no mês, abaixo da alta de 0,62% registrada em maio.
Com o resultado, o indicador acumula elevação de 3,45% em 2026 e de 4,80% nos últimos 12 meses, acima dos 4,64% observados até maio.
O principal fator de pressão sobre a inflação foi o grupo Alimentação e Bebidas, que registrou alta de 0,74% e teve o maior impacto individual sobre o índice. Apesar de ter desacelerado em relação ao mês anterior, alguns produtos apresentaram aumentos expressivos, como a batata-inglesa, que subiu 29,42%, o tomate, com alta de 17,27%, e o feijão carioca, que avançou 14,29%.
Por outro lado, alguns itens ajudaram a reduzir a pressão sobre o orçamento das famílias. O café moído teve queda de 3,69%, enquanto as frutas ficaram, em média, 0,96% mais baratas.
Outro grupo que contribuiu para a alta da inflação foi Habitação, que avançou 0,72%, seguido por Saúde e Cuidados Pessoais, com elevação de 0,47%.
Entre os fatores que ajudaram a conter uma inflação maior, os combustíveis tiveram papel importante. A gasolina registrou queda de 0,73%, enquanto o etanol recuou 5,30%. No conjunto, os combustíveis ficaram 1,22% mais baratos no período.
Mesmo assim, o grupo Transportes praticamente não conseguiu ampliar a deflação por conta do aumento das passagens aéreas. As tarifas de voos subiram 7,24% em junho e tiveram um dos maiores impactos individuais sobre o índice.
Segundo o IBGE, apenas dois dos nove grupos pesquisados registraram queda nos preços: Transportes, com recuo de 0,03%, e Educação, que apresentou leve baixa de 0,02%.
A inflação foi observada em todas as regiões pesquisadas pelo instituto. Brasília apresentou a maior variação do período, com alta de 0,93%, enquanto Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador registraram os menores resultados, todos com avanço de 0,28%.
Embora a desaceleração do IPCA-15 seja vista como um sinal positivo para a economia, a persistência da alta nos alimentos e em alguns serviços continua exigindo atenção de consumidores, empresas e formuladores da política monetária.
Fonte: Estadão



