IBGE: rebanho bovino cai pelo 2º ano seguido em 2025, a 234,3 milhões de cabeças
Produção de leite de vaca cresceu pelo terceiro ano seguido, com alta de 2,7% na passagem de 2024 para 2025 e recorde de 36,7 bilhões de litros
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São Paulo, 01/10/2026 – O rebanho bovino diminuiu 1,7% em 2025, na comparação com 2024, na segunda queda anual consecutiva. A quantidade de bovinos reduziu para 234,3 milhões de cabeças, a menor desde 2022, quando o efetivo era de 234,9 milhões de cabeças. Os dados são da pesquisa da Produção da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada ontem (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Conforme a pesquisa do IBGE, a queda é explicada pelo aumento do abate nos últimos quatro anos, em especial de fêmeas. São Félix do Xingu (PA) continua com o maior rebanho de bovinos (2,7 milhões de cabeças), o que representa 1,2% do total. Na sequência, aparecem Corumbá (MS), com 2,2 milhões; Porto Velho (RO), 1,7 milhão; Cáceres (MT), 1,4 milhão; e Marabá (PA), 1,3 milhão.
Regionalmente, o efetivo bovino do Centro-Oeste caiu pelo terceiro ano seguido (-3,7%), mas se mantém com a maior quantidade (72,2 milhões de cabeças), equivalente a 30,8% do total. O Nordeste atingiu 37,3 milhões de cabeças, uma alta de 2,2%, foi a única região com aumento do rebanho. Já o Norte recuou 1,8%, com um rebanho de 63,4 milhões de cabeças, enquanto Sudeste (-1,0%) e Sul (-1,7%) também apresentaram quedas pelo terceiro ano consecutivo e chegaram a 37,3 milhões e 24,1 milhões de cabeças, respectivamente.
A pesquisa mostrou também recorde no valor de produção da pecuária (R$ 141,2 bilhões), com alta de 6,2% em relação a 2024. Os produtos de origem animal somaram R$ 128,0 bilhões, um aumento de 5,6%, enquanto os itens da aquicultura contribuíram com R$ 13,2 bilhões, um crescimento de 12,5%. O recorde foi puxado pela produção de leite de vaca (R$ 89,5 bilhões), que representou 63,4% do valor total, seguido por ovos de galinha, R$ 36,4 bilhões (25,8%), e em seguida, o mel, com R$ 1,2 bilhão (0,9%).
Leite
A produção de leite de vaca cresceu pelo terceiro ano seguido, com alta de 2,7% na passagem de 2024 para 2025 e recorde de 36,7 bilhões de litros. O resultado foi alcançado mesmo com a queda de 2,7% no número de vacas ordenhadas nesse período. Foram 14,7 milhões de vacas ordenhadas em 2025, a menor quantidade desde 1979 na série iniciada em 1974, informou o IBGE.
Esses dados explicam também o aumento recorde de 5,6% na produtividade, a terceira alta seguida, chegando a 2.498,7 litros de leite por vaca por ano. O resultado reflete condições climáticas favoráveis e investimento em aprimoramento genético e manejo do rebanho, aliado a um processo de otimização e reorganização da base produtiva.
O município de Castro (PR) liderou o ranking com 532,8 milhões de litros, alta de 10,0% em relação a 2024. Carambeí (PR) manteve a segunda posição, com 306,8 milhões de litros, e Patos de Minas (MG) ocupou a terceira posição, com 249,2 milhões de litros.
A região Sul liderou em produtividade e reassumiu a primeira posição na produção de leite com 12,5 bilhões de litros, correspondendo a 34,0% da produção nacional, com um crescimento de 4,4% em relação a 2024. O Sudeste vem na sequência, com crescimento de 2,3% e 12,3 bilhões de litros de leite, o equivalente a 33,5% do total nacional. Já o Nordeste manteve a terceira colocação, com 6,6 bilhões de litros e um aumento de 2,7%, respondendo por 18,0% da produção. O Centro-Oeste chegou a 3,6 bilhões, queda de 1,0%, e contribuiu com 9,8% da produção leiteira nacional. Já o Norte apresentou a menor contribuição da produção (4,6%), e teve aumento de 1,4%, com produção de 1,7 bilhão.
Galinhas
O efetivo de galináceos, que contempla galinhas e outras categorias como frangos de corte, foi estimado em recorde de 1,6 bilhão de cabeças em 2025, aumento de 1,6% em comparação ao ano anterior. Desse total, 293,3 milhões (18,3%) são galinhas destinadas à produção de ovos, cujo efetivo também foi recorde com alta de 5,8%. Os dados são da pesquisa da Produção da Pecuária Municipal (PPM) 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Santa Maria de Jetibá (ES) foi o município com o maior efetivo de galináceos (18,4 milhões de cabeças), um aumento de mais de 890,5 mil animais em 2025 na comparação com o ano anterior. Desse crescimento, 23,6% foram galinhas, o que reforça a sua liderança municipal nesse efetivo desde 2015, totalizando 15,1 milhões de galinhas em 2025. São Bento do Una (PE), Bastos (SP), Uberlândia (MG) e Toledo (PR) completam o ranking dos cinco maiores municípios em galináceos. No ranking de galinhas, Bastos (SP) e São Bento do Una (PE) também se destacam, ocupando a segunda e terceira posição, respectivamente. Primavera do Leste (MT) e Santo Antônio do Monte (MG) ocupam o quarto e quinto lugares.
A região Sul concentra a maior quantidade de efetivos de galináceos (772,9 milhões de cabeças), quase a metade (48,1%) do total nacional, com aumento de 3,4% em relação a 2024. Em relação às galinhas, o Sul apresentou o segundo maior efetivo (72,2 milhões de cabeças), 24,6% do total nacional, e cresceu 5,8% no ano. Já o Sudeste concentrou a maior quantidade de galinhas (104,3 milhões de cabeças), equivalente a 35,6% do total, com crescimento de 5,0%.
Ovos
A produção de ovos de galinha mantém trajetória de crescimento desde 1999, alcançando volume recorde de 5,7 bilhões de dúzias em 2025. Com o preço médio estimado em R$ 6,34 por dúzia, o valor de produção atingiu R$ 36,4 bilhões, um crescimento de 13,9%.
Os cinco principais municípios produtores foram Santa Maria de Jetibá (ES), Bastos (SP), São Bento do Una (PE), Primavera do Leste (MT) e Santo Antônio do Monte (MG). Essa lista e a ordem de classificação são as mesmas observadas no ranking de efetivo de galinhas dada a correlação direta entre o efetivo e a produção de ovos.
O Sudeste lidera a produção de ovos (2,3 bilhões de dúzias), responsável por 39,3% do total nacional, e um crescimento de 3,2% em 2025. Sul (1,3 bilhão de dúzias) e Nordeste (1,1 bilhão de dúzias) aparecem na sequência, com 22,5% e 20,0% de participação e crescimentos de 5,9% e de 6,6%, respectivamente.
Suínos
A pesquisa da Produção da Pecuária Municipal (PPM) 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou em 44,0 milhões o número de cabeças de suínos no País em 2025, quantidade estável em comparação com 2024. O total de fêmeas reprodutoras ficou praticamente estável (5,0 milhões de animais).
Toledo (PR) manteve sua posição na liderança municipal para a criação, com 2,1% do efetivo nacional (935,0 mil animais). Uberlândia (MG) aparece em seguida, com 1,3% do total (588,0 mil animais), seguido de Concórdia (SC), com 1,2% (519,4 mil animais).
Caprinos
O efetivo de caprinos aumentou 1,2% no ano de 2025, chegando a 13,5 milhões de animais, enquanto o número de ovinos aumentou 1,6%, atingindo 22,3 milhões de animais. As duas quantidades são recordes da pesquisa. A região Nordeste foi a principal responsável por este aumento, já que tem 96,6% do total de caprinos e 75,8% dos ovinos. O Sul ocupa também lugar de destaque em ovinos por manter 15,6% do efetivo nacional, sendo o Rio Grande do Sul o maior Estado produtor de lã do País, com 94,8% da produção nacional de 2025, que caiu 10,7%.
Os maiores efetivos de caprinos estão localizados em Casa Nova (BA), Juazeiro (BA), Floresta (PE), Curaçá (BA) e Petrolina (PE). Para ovinos, Casa Nova (BA) também se destaca como principal município produtor, seguido de Juazeiro (BA), Dormentes (PE), Remanso (BA) e Afrânio (PE).



