Chuva trava avanço do trigo no Paraná e acende alerta para janela crítica da safra
Excesso de umidade desacelera plantio, dificulta preparo do solo e amplia preocupação com impactos climáticos nos próximos meses, aponta Tempo OK
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O excesso de chuva e as temperaturas mais baixas registradas no centro-sul do Brasil começam a pressionar o ritmo da safra de inverno, especialmente no Paraná, principal produtor de trigo do país. Segundo análise da Tempo OK, empresa de consultoria meteorológica, desde o dia 10 de maio, os acumulados de chuva superaram os 60 mm no norte do Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul, enquanto o oeste e sul de São Paulo registraram volumes acima de 75 mm. “O cenário de elevada umidade, associado ao frio persistente, vem dificultando a entrada de máquinas nas lavouras e comprometendo o avanço do plantio do trigo”, afirma Celso Oliveira, meteorologista da Tempo OK.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que, até 22 de maio, 48% das áreas previstas haviam sido semeadas no estado — índice 1 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano passado e quase 3 pontos abaixo da média dos últimos cinco anos.
Segundo o meteorologista da Tempo OK, Celso Oliveira, a chuva perde intensidade nos próximos dias, mas ainda ocorre de forma frequente nesta semana. “Isso impede uma recuperação mais acelerada do plantio no Paraná, já que o solo continua bastante úmido e as operações em campo seguem limitadas,” explica.
O especialista também destaca que, apesar de já estarmos sob El Niño, o fenômeno muito fraco ainda não está relacionado diretamente à chuvarada dos últimos dias.
“O El Niño ainda não está consolidado. Os impactos mais significativos devem aparecer a partir de setembro, justamente durante o período de florescimento e enchimento de grãos do trigo, fase extremamente sensível ao excesso de umidade e ao aumento da incidência de doenças”, afirma Oliveira.
Além do Paraná, a chuva também alcança áreas do norte do Rio Grande do Sul, dificultando o preparo do solo para o futuro plantio das culturas de inverno. Em outras cadeias agrícolas, os reflexos do tempo úmido também já são percebidos. A colheita do café segue mais lenta que o normal, principalmente no robusta do Espírito Santo, enquanto áreas de cana-de-açúcar em São Paulo e café no sul de Minas Gerais continuam com elevada umidade no solo.
Enquanto isso, em regiões como Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Matopiba, o cenário é oposto. A ausência de chuvas mantém a preocupação com perdas na segunda safra de milho. Já no sul de Mato Grosso do Sul e no Paraná, a umidade pode favorecer o enchimento dos grãos e amenizar parte dos danos registrados anteriormente.
Informações: Tempo OK



