CNA: decisão sobre Ferrogrão abre nova etapa para projeto logístico no Arco Norte

Regiões concentram 69,9% da produção brasileira de soja e milho, enquanto os portos do Arco Norte escoam apenas 34% da produção desses grãos

22/05/2026 às 12:22 atualizado por Gabriel Azevedo - Estadão
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São Paulo, 22/05/2026 – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a constitucionalidade da Lei 13.452/2017 abre caminho para uma nova etapa da Ferrogrão, ferrovia projetada para ligar Sinop (MT) a Itaituba/Miritituba (PA). A entidade atuou no processo como amicus curiae e defende que o empreendimento pode reduzir custos logísticos no transporte da produção agropecuária nas Regiões Norte e Centro-Oeste.

Segundo a CNA, essas duas regiões concentram 69,9% da produção brasileira de soja e milho, enquanto os portos do Arco Norte escoam apenas 34% da produção desses grãos. Para a entidade, a diferença entre a concentração produtiva e a participação dos portos no escoamento reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura de transporte.

Em nota, a confederação avaliou que a ferrovia “é passo essencial para a consolidação da atividade agrícola nessa região do País, garantindo o crescimento da produção, a redução da pressão de transporte pelas rodovias federais”.

O julgamento no STF tratou da validade da lei que viabiliza a construção da Ferrogrão. A norma alterou limites de unidade de conservação no Pará para permitir o avanço do projeto. A decisão não representa autorização imediata para a obra, já que a ferrovia ainda terá de cumprir exigências legais e obter as autorizações necessárias para ser viabilizada.

A CNA informou que acompanhou juridicamente e institucionalmente o processo de viabilização legislativa, regulatória e econômica da concessão junto aos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo. A entidade sustenta que a Ferrogrão poderá ter papel relevante na solução de gargalos de infraestrutura e transporte no escoamento da produção agropecuária. O projeto tem 933 quilômetros de extensão.